Textos de maio 2007 ↓

Adeus à TV nossa de cada dia!

A televisão vai acabar.

Isto é, a TV que conhecemos hoje vai acabar. Novelas, jornais, programa de auditório, entre outros, com dias e horários definidos, não terão espaço na nova tv digital.

Sim, na nova TV você poderá escolher a hora e dia que bem entender para assistir seu programa preferido – além de gravar, pausar e programar suas preferências, independente do canal. Está em exibição uma propaganda para o aparelho de TV LG Time Machine – machista, mas engraçada – em que o homem pausa o jogo para um discussão com a esposa e, quando ela termina, dá play e grita: GOOOOLLLLLL!

Não existirá nada nem ninguém que faça você perder o último capítulo do seu seriado preferido. Além de outras opções como a de pagar contas e fazer compras na tela da sua TV.

Aos ávidos por novidades em tecnologia, não pára por aí. Além de tudo isso, a “caixa preta” da nossa sala poderá virar objeto obsoleto: a televisão estará na internet. Isto é, já está na internet, mas teremos uma facilidade maior de assistirmos às programações.

Sim, eu sei, você estar se perguntando: mas quando?

Muita calma nessa hora. Ainda temos tempo, de sobra, para preparar nosso novo ritmo de telespectadores/internautas para essa nova fase da mídia televisiva e, em especial, nossos bolsos!

Nos E.U.A. a TV Digital existe mas não como muitos pensam, imaginem então no Brasil! Serão ainda muitos anos para a “moda pegar”.

O que tudo isso tem haver com a cibercultura? Tudo! O ritmo de vida das pessoas e suas relações tendem a mudar, e aliás, já vem mudando.
A interatividade e a relação expaço X tempo está sendo reconceituada. A novela das oito poderá ser vista às dez da manhã do dia seguinte, aquele filme que você adora será visto quantas vezes tiver vontade, o tempo que era gasto no mercado será minimizado entre um filme e outro, a publicidade nos intervalos será opcional e com isso os hábitos e modos serão influenciados.

Agora é esperar para ver.

Considerações para o futuro da televisão: interação e a inteligência coletiva

I – Inteligência Coletiva

Excerto do livro A Inteligência Coletiva, de Pierre Lévy, Capítulo 5: Coreografia dos corpos angélicos. A teologia da inteligência coletiva.

“… o projeto de inteligência coletiva implica uma tecnologia, uma economia, uma política e uma ética. [...] Até o momento, o que fizemos foi principalmente imaginar e construir mundos virtuais que eram meras simulações de universos físicos reais ou possíveis. Propomos agora conceber mundos virtuais de significações ou sensações partilhadas, a abertura de espaço em que poderão desenvolver-se a inteligência e a imaginação coletivas.”

Apesar de ainda se enquadrarem na definição de mundos virtuais que eram meras simulações de universos físicos reais ou possíveis, o Second Life e jogos MMORPG (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game ou jogo de interpretação online e massivo para múltiplos jogadores) são os serviços que mais se aproximam de mundos virtuais de significações ou sensações partilhadas. Por outro lado, a Wikipédia, o You Tube, o Digg, o Outrolado e a blogosfera estariam mais próximos do que Lévy define como o espaço em que poderão desenvolver-se a inteligência e a imaginação coletivas.
Não esquecendo de destacar que entre os serviços mencionados, o Second Life se apresenta hoje como o mais próximo da proposição de mundos virtuais apresentada por Lévy, pois a imaginação coletiva é parte fundamental para sua construção funcional, interativa e estética, justificando muito bem o seu slogan Your World. Your Imagination. (Seu Mundo. Sua Imaginação., em português).

II – O futuro da televisão

Qual o caminho da televisão nesse futuro que já é presente?

Existem várias possibilidades, mas num primeiro momento, pode-se considerar principalmente duas:

  • O produto televisão se tornará apenas uma ferramenta de entrada ao ciberespaço e acesso aos produtos e serviços mencionados acima;
  • Novas formas de distribuição e dispositivos de interação entre o público e o produto acabará por levar à criação de novas linguagens, produtos e serviços na televisão cibernética – seja através da WebTV ou da Televisão Digital.

Uma terceira possibilidade: a influência que o pensamento descentralizado e em rede, e as experiências multi-sensoriais comuns no ciberespaço, aumentaria exponencialmente e mudaria drasticamente a forma de adquirir e consumir informação. A experiência informacional – seja para adquirir conhecimento, para fins publicitários, informativo ou relacionamento – não mais se daria por intermédio de um único meio ou veículo e sim de várias linguagens, mídias e dispositivos. Por exemplo:

  • Programas de rádio ou música em aparelhos portáteis;
  • Conversas via telefone;
  • Texto em websites, livros e revistas impressas
  • Videos através do aparelho de TV, web ou correlatos;
  • Painéis e pôsteres nas ruas
  • interação em jogos, comunidades online e blogs, entre outros exemplos.

A nova televisão seria apenas uma pequena porção da mensagem, devidamente assimilada pelo indivíduo somente pela vivência e interação das diversas “moléculas informacionais” da mensagem e destas com o indivíduo – ele mesmo uma “molécula” informacional.

Esta terceira possibilidade parece ser a mais factível e próxima de nosso presente, a julgar pelo sucesso que a campanha de lançamento do novo álbum da banda Nine Inch Nails obteve através dos chamados Alternate Reality Games (ARGs) ou Jogos de Realidade Alternativa; com websites, imagens de camisetas em shows transmitidos pela TV e muito mais levando milhares de pessoas a participarem da campanha. Ou ainda da intensidade com que o público do seriado americano LOST participa de seu universo muito além do programa televisivo, através de comunidades e sites interativos criados pela produção e que dão acesso a informações novas sobre a estória através de vídeos, animações, textos e áudio, por exemplo.

Guardadas as devidas proporções e características técnicas e de linguagem, o futuro da televisão poderia apresentar semelhanças com este texto, publicado num blog/website de autoria coletiva e que jamais estará completo e transmitirá uma mensagem sem que o leitor experimente outras moléculas informacionais: os links e a sua própria participação e interação.

Futuro da TV Pública no Brasil

Na última semana a capital federal sediou o I Fórum Nacional de TV’s Públicas, que contou com a presença de vários ministros de estado e o presidente Lula. O Fórum encerra uma série de discussões e debates que vêem ocorrendo desde o ano passado em torno do futuro da tv pública no país.

O primeiro passo é a fusão da Radiobrás com a TVE Brasil. Veja algumas informações publicadas no jornal Meio & Mensagem:

“Os conselhos diretores das duas TVs já realizam reuniões conjuntas, onde discutem até modelos de programação, tudo para cumprir a promessa de estrear a nova rede no dia 2 de dezembro, junto com a TV Digital no Brasil. A proposta é qualificar a programação e melhorar as estruturas que já existem”, afirmou Beth Carmona, presidente da TVE/Rede Brasil. “

A idéia é dispor de recursos orçamentários públicos e também investimentos do setor empresarial para a nova rede. “É preciso que os empresários sintam-se responsáveis e invistam nas programações das redes públicas de televisão. O tipo de programação que a TV pública oferece à sociedade é uma programação que pode contribuir para melhorar a formação cultural e de educação da população brasileira. O Brasil é um país cheio de carências e a TV pública pode e deve, com incentivos dos empresários, contribuir para melhorar da situação do país”, afirma Beth Carmona.

Para o leitor que se interessou pelo assunto vai aí a dica de alguns sites:

Para contatar o CyberTV

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