Considerações para o futuro da televisão: interação e a inteligência coletiva

I – Inteligência Coletiva

Excerto do livro A Inteligência Coletiva, de Pierre Lévy, Capítulo 5: Coreografia dos corpos angélicos. A teologia da inteligência coletiva.

“… o projeto de inteligência coletiva implica uma tecnologia, uma economia, uma política e uma ética. [...] Até o momento, o que fizemos foi principalmente imaginar e construir mundos virtuais que eram meras simulações de universos físicos reais ou possíveis. Propomos agora conceber mundos virtuais de significações ou sensações partilhadas, a abertura de espaço em que poderão desenvolver-se a inteligência e a imaginação coletivas.”

Apesar de ainda se enquadrarem na definição de mundos virtuais que eram meras simulações de universos físicos reais ou possíveis, o Second Life e jogos MMORPG (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game ou jogo de interpretação online e massivo para múltiplos jogadores) são os serviços que mais se aproximam de mundos virtuais de significações ou sensações partilhadas. Por outro lado, a Wikipédia, o You Tube, o Digg, o Outrolado e a blogosfera estariam mais próximos do que Lévy define como o espaço em que poderão desenvolver-se a inteligência e a imaginação coletivas.
Não esquecendo de destacar que entre os serviços mencionados, o Second Life se apresenta hoje como o mais próximo da proposição de mundos virtuais apresentada por Lévy, pois a imaginação coletiva é parte fundamental para sua construção funcional, interativa e estética, justificando muito bem o seu slogan Your World. Your Imagination. (Seu Mundo. Sua Imaginação., em português).

II – O futuro da televisão

Qual o caminho da televisão nesse futuro que já é presente?

Existem várias possibilidades, mas num primeiro momento, pode-se considerar principalmente duas:

  • O produto televisão se tornará apenas uma ferramenta de entrada ao ciberespaço e acesso aos produtos e serviços mencionados acima;
  • Novas formas de distribuição e dispositivos de interação entre o público e o produto acabará por levar à criação de novas linguagens, produtos e serviços na televisão cibernética – seja através da WebTV ou da Televisão Digital.

Uma terceira possibilidade: a influência que o pensamento descentralizado e em rede, e as experiências multi-sensoriais comuns no ciberespaço, aumentaria exponencialmente e mudaria drasticamente a forma de adquirir e consumir informação. A experiência informacional – seja para adquirir conhecimento, para fins publicitários, informativo ou relacionamento – não mais se daria por intermédio de um único meio ou veículo e sim de várias linguagens, mídias e dispositivos. Por exemplo:

  • Programas de rádio ou música em aparelhos portáteis;
  • Conversas via telefone;
  • Texto em websites, livros e revistas impressas
  • Videos através do aparelho de TV, web ou correlatos;
  • Painéis e pôsteres nas ruas
  • interação em jogos, comunidades online e blogs, entre outros exemplos.

A nova televisão seria apenas uma pequena porção da mensagem, devidamente assimilada pelo indivíduo somente pela vivência e interação das diversas “moléculas informacionais” da mensagem e destas com o indivíduo – ele mesmo uma “molécula” informacional.

Esta terceira possibilidade parece ser a mais factível e próxima de nosso presente, a julgar pelo sucesso que a campanha de lançamento do novo álbum da banda Nine Inch Nails obteve através dos chamados Alternate Reality Games (ARGs) ou Jogos de Realidade Alternativa; com websites, imagens de camisetas em shows transmitidos pela TV e muito mais levando milhares de pessoas a participarem da campanha. Ou ainda da intensidade com que o público do seriado americano LOST participa de seu universo muito além do programa televisivo, através de comunidades e sites interativos criados pela produção e que dão acesso a informações novas sobre a estória através de vídeos, animações, textos e áudio, por exemplo.

Guardadas as devidas proporções e características técnicas e de linguagem, o futuro da televisão poderia apresentar semelhanças com este texto, publicado num blog/website de autoria coletiva e que jamais estará completo e transmitirá uma mensagem sem que o leitor experimente outras moléculas informacionais: os links e a sua própria participação e interação.

7 comments ↓

#1 Post-It: O que estou lendo - replicando o René de Paula Jr. « Celso Bessa Post-its on 05.22.07 at 2:18 pm

[...] A Inteligência Coletiva – Por uma antropologia do ciberespaço, de Pierre Lévy. Que está sendo muito útil para os estudos do CyberTV – Televisão e Cibercultura; [...]

#2 Fotos digitais no celular, de bolso, Pierre Lévy e democracia « Celso Bessa Post-its on 05.22.07 at 9:24 pm

[...] semelhantes podem ser aplicadas a outras formas de expressão e comunicação, como visto em Considerações para o futuro da televisão: interação e a inteligência coletiva ( [...]

#3 bessa:celso on 07.29.07 at 9:06 pm

Este artigo também foi publicado no sites colaborativo Outrolado

O futuro da televisão: interação e inteligência coletiva
Outrolado:
http://www.outrolado.com.br/Artigos/consideracoes_para_o_futuro_da_televisao_interacao_e_a_inteligencia_coletiva

#4 Congresso TV 2.0 » CyberTV on 10.05.07 at 5:10 pm

[...] TV digital e interativa; [...]

#5 O Citroën C4 Pallas, ética, blogs, TV digital, feeds e a velha mídia « Celso Bessa Post-its on 03.11.08 at 2:43 pm

[...] Isso sinceramente me emociona, pois mostra alguns pontos defendidos por Pierre Lévy ao falar de inteligência coletiva e democracia em tempo [...]

#6 Collective Inteligence and Interaction Articles « Celso Bessa Post-its | English Version on 09.19.08 at 1:04 am

[...] Portuguese: Considerações para o futuro da televisão: interação e a inteligência coletiva in Google Knol and CyberTV. [...]

#7 Campanha Wii Experience Wario Land no YouTube « Celso Bessa Post-its on 09.23.08 at 12:28 pm

[...] tanto em interação e funcionalidades de TV digital, mas na forma que é planejada e pensada hoje, jamais seria tão imersiva e adequada como essa [...]